Artigo02 out 2026
Quando restaurar é também saber terminar: O fim da relação como resultado restaurativo legítimo
Este artigo apresenta a trajetória de um casal encaminhado a um programa de Justiça Restaurativa em razão de um episódio de violência doméstica. O texto articula a narrativa da experiência vivenciada pelas facilitadoras a uma leitura teórica dos processos observados ao longo da intervenção. O percurso começou com a participação do homem em círculos de diálogo, nos quais passou a compreender de outra maneira o dano causado, suas consequências e sua própria responsabilidade. Posteriormente, a mulher participou de encontros individuais, nos quais emergiram necessidades relacionadas à autonomia, à segurança e à independência financeira, culminando na decisão de encerrar a relação. A experiência permite discutir processos interacionais produzidos pelas práticas restaurativas, o protagonismo da vítima e os limites de intervenções construídas exclusivamente a partir da perspectiva do ofensor. Também questiona a ideia de que práticas restaurativas devam necessariamente resultar em reconciliação, recomposição de vínculos, encontros entre vítimas e ofensores ou acordos formais. Por fim, o caso conduz à reflexão sobre os desafios da inserção da Justiça Restaurativa no sistema formal de justiça e sobre a capacidade institucional de reconhecer e valorar resultados construídos segundo uma lógica distinta daquela que tradicionalmente orienta o sistema de justiça criminal.
- Práticas restaurativas
- Violência doméstica
- Empoderamento da vítima
DÉ
Decildo Ferreira Lopes e Érica Fernanda Teixeira Santos
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